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A cidade é a maior ilusão!

É a mais amarga, porque o homem pensa ter na cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda a sua miséria. Mas, o que a cidade mais deteriora no homem é a inteligência, porque ou a arregimenta dentro da banalidade ou a empurra para a extravagância.

O homem que a respira, nela envolto, só pensa todos os pensamentos já pensados, só exprime todas as expressões já exprimidas.

Eça de Queiroz in A cidade e as serras.

domingo, 10 de agosto de 2014

Outro olhar sobre velhas questões


O carro será o cigarro do futuro

Autor:  Dr Ney Cavalcanti. Médico Endocrinologista, ex Professor da Faculdade de Medicina.


Esta previsão foi feita pelo urbanista brasileiro Jaime Lerner, que revolucionou a mobilidade da cidade de Curitiba. O seu modelo modificou radicalmente o transporte daquela cidade, privilegiando ao máximo o  coletivo e as suas ideias estão sendo cada vez mais implantadas  em cidades brasileiras, e mundo a fora.

Em sua opinião chegará o tempo, que você poderá  continuar usando o seu carro, no transporte urbano, mas as pessoas ao seu redor se irritarão. Pensando bem, o uso do automóvel como  transporte individual é um dos piores exemplos de desperdício.

Transportando na quase totalidade dos casos apenas um passageiro, ocupa o espaço como que cinco fossem os seus ocupantes. Alem disso, tem um depósito, a mala, quase sempre vazia. Por conta disso, consomem  combustível e poluem o ar e o transito, como se a sua lotação fosse completa. Resultado apesar de transportar apenas cerca de 15 % das pessoas nas cidades, ocupam mais de 80% do espaço das ruas e avenidas.

Relação custo-benefício inaceitável. Em muitos países, a posse de um automóvel ainda é sinal de “status”. Quem ainda não tem o deseja. Os pertencentes a classe econômica mais privilegiada, principalmente os novos ricos, são os que desejam demonstrar a sociedade seu poder aquisitivo. Escolhem carros cada vez maiores e de marcas famosas. Resultado: poluem mais o ambiente e o transito.

Muitos também valorizam que eles sejam os mais rápidos. “O meu carro  faz de 0 a 100 km em 6 segundos”. Tanta rapidez para trafegar  nas cidades, cujas velocidades médias são  inferiores  a 30 km/hora.

Um escritor Italiano  Ross Dawson, tem opinião semelhante a de Jaime Lerner quanto ao automóvel .

“Um dia vamos olhar para trás. e interrogar como foi aceitável permitir poluir por tanto tempo. Deveremos agir como hoje pensamos com o cigarro, apresentando restrições cada vez  mais rigorosas  para o seu uso”

Os veículos são responsáveis por grande parcela da emissão dos gases poluentes. Eles poluem mais que todas as residências e fazendas americanas juntas.

A primeira impressão era que o carro elétrico iria resolver o problema, afinal ele não emitem gases poluentes. Ledo engano.

Em muitos países a eletricidades para o seu funcionamento é obtida através da queima dos poluentes combustíveis fosseis. Por  conta dessas e de varias outras razoes, o prestigio do automóvel vem caindo nos Estados Unidos. A imagem símbolo dessa decadência é a cidade de Detroit. Na década de 70 tinha mais de 2 milhões de habitantes e era uma das cidades mais prosperas daquele pais. Hoje tem menos de 700 mil, e a sua prefeitura teve a sua falência decretada.

O grande marco da involução da indústria automobilística é a General Motors. Durante décadas ocupou o primeiro lugar no “ranking” das indústrias dos Estados Unidos. Hoje o seu lugar é apenas o sétimo. Desde 2001 os números de quilômetros percorridos pelos carros vem diminuindo. Cerca de 20% dos jovens americanos não tem carteira de motorista. Por conta disso, a juventude daquele país que não dirige, dobrou entre 1983 e 2013.

Em varias cidades ida ao trabalho já é feito a pé, ou de bicicleta, por mais de 10% da população. O prefeito de Nova York , construiu nos últimos anos 450 kms. de ciclovias.

A redução do uso de automóveis decorre não só dos problemas que acarreta no transito e da sua ação deletéria sobre a qualidade do ar.

Existem outros fatores:

1) Mudança do estilo de vida, Em décadas anteriores o objetivo era ter casas grandes para comportar as grandes famílias  e que fossem afastadas dos grandes centros, aonde se iria de automóvel.

2)A maioria das mulheres não trabalhava.

3) Os vínculos de trabalho eram duradouros Hoje a preferência da maioria é morar perto dos serviços que utiliza: trabalho, educação, saúde, comprar, lazer, etc. A extinção do automóvel, obviamente não acontecerá  brevemente, porem a diminuição do seu uso continuará.


 A esperança é que a tecnologia invente uma forma mais inteligente de transporte

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