BEM VINDO AO BLOG!

Mostrando postagens com marcador Psicopatia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Psicopatia. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Não sei de nada




Dupla percepção: não delinquente e delinquente


Existe uma questão real com a qual grande parte dos que lidam com o Direito Penal se defrontam na prática. A quase totalidade das pessoas apontadas como autores de um crime simplesmente negam haver praticado o mesmo. Sob um outro viés alguns criminosos apresentam justificativa tão forte para o cometimento dos seus atos que a maioria das pessoas adere às razões que motivaram e justificam o ato. Muitos até preferem acreditar que a investigação foi mal conduzida ao responsabilizar um inocente. Essa simpatia se faz presente de forma mais acentuada entre os estudantes, vez que é normal à crença na existência de um erro na investigação e decisão final.

Claro que casos como o dos “irmãos Naves” lamentavelmente existem. É comum a descoberta, anos depois das decisões judiciais, de falhas que culminaram com prisões cujas consequências perniciosas jamais serão devidamente quantificadas, nem permitem a retomada de uma situação de equilíbrio psíquico para o acusado e as pessoas que efetivamente são próximas ao mesmo. A compensação oferecida, geralmente uma indenização pecuniária, não possui o poder de tornar magicamente inexistente a dor sofrida.

Chama especial atenção a percepção que o agente tem de si mesmo quanto a sua responsabilidade que lhe cabe na prática do crime. Vale lembrar delitos recentes como o assassinato de Elisa Samúdio. Na hipótese o acusado negou com tal tranquilidade sua participação no desaparecimento e morte da mãe de seu filho, implorando publicamente que ela voltasse para mostrar que estava viva, que muitos chegaram a ver nele um caso claro de personalidade psicótica.

No caso da morte de João Hélio no Rio de Janeiro, uma criança com sete anos que foi arrastada até a morte por muitos quarteirões, presa que estava pelo cinto de segurança, os assaltantes que roubaram o carro disseram em tom de zombaria que o menor “era como um boneco de Judas”.



Não tive escolha: Fui obrigado a matar

Os transtornados assassinos, movidos pela loucura da paixão, normalmente afirmam que “foram obrigados, em razão do comportamento da mulher” a matá-las em nome do enxovalhamento de sua honra e da posição constrangedora em que foram colocados pela traição da mulher.

 Essa dupla percepção não é nova. A própria sociedade, curiosamente, não só a aceita como chega ao nível de estímulo ao tornar simpáticos e admiráveis personagens como Dom Juan, Robim Hood, Lampião e tantos outros. O primeiro, o invejado conquistador cuja lista de amantes teria atingido a mil e três só na Espanha, conforme as acuradas anotações de seu servo Leporello, era na verdade violador da honra feminina que não hesitava em matar os pais das até então donzelas para chegar ao fim de suas conquistas amorosas.  A visão que temos hoje de Dom Juan está presente a perfeição em um ótimo filme intitulado “Dom Juan de Marco”, com os atores  Johnny Deep e Marlon Brando

Robin Hood, bem considerado, tomou a justiça em suas mãos e a aplicou atendendo apenas a sua vontade, por mais que consideremos válida a metáfora contida nas suas aventuras,  “tomando dos ricos para distribuir com os pobres”. Já o nosso Lampião, fruto de injustiças na juventude foi “jogado” no cangaço. Muito crime praticou no sertão de seu de seu tempo, porém muitas histórias de valentia e galanteria cercam seu nome. Em uma cidade do sertão pernambucano existe uma estátua em seu louvor em praça pública, e em outra (Triunfo – PE) os turistas procuram conhecer na antiga “Corte do Sertão” a casa onde o cangaceiro descansava após suas investidas.

Foi ele

Podemos retornar no tempo até a Grécia antiga, terra dos filósofos.  Homero revela ter conhecimento dessa dupla percepção da realidade e seguindo o processo usado pelos gregos àquela época, para o debate das ideias, apresentava a questão da percepção do procedimento e elaboração de uma justificativa na mente do homem, com base na narrativa da ação de Agamenon, da qual resultou a guerra de Tróia.

Agamenon responsabilizando os deuses pelos seus atos e declarando que sua mente fora turvada pela deusa Ate, que explicou e tentou justificar  o seu comportamento ao fugir com a mulher de Aquiles:

“Não mereço censura. 
 Foi Zeus, meu destino e a Fúria que anda nas trilhas da escuridão que cegaram meu julgamento naquele dia em que tirei a mulher de Aquiles.

O que poderia eu fazer? Nesses momentos há um poder que assume o comando: Ate, a filha mais velha de Zeus, que nos cega, espírito maldito, adejando pelas cabeças dos homens, corrompendo-os, abatendo ora este ora aquele. Inclusive Zeus certa vez foi cegado por ela, e sabe-se  que Zeus  está acima  de todos os homens e deuses.”
(Ilíada, XIX - 87/100)                     

João Franco




Psicopata e Sociopata
por Fernanda Salla | Edição 99


Os dois termos são sinônimos para um tipo específico de transtorno de personalidade. De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o termo oficial para designar um psicopata ou sociopata é personalidade dissocial ou antissocial.
 "A psicopatia é um termo muito confuso historicamente, sendo que, hoje, se refere a apenas um dos oito transtornos de personalidade existentes", diz o psiquiatra forense Daniel Martins de Barros, do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Ou seja, a associação que, em geral, fazemos do termo psicopata com um assassino frio, como um serial killer, não passa de mau uso do termo.
·         Segundo os especialistas, até 3% da população mundial é composta de psicopatas, sendo que eles reincidem na criminalidade três vezes mais que bandidos comuns.


Os oito transtornos principais de personalidade são:

01 - ANTISSOCIAL
O sociopata - tem tendência à agressividade e não observa às normas sociais. Ele dificilmente altera o seu modo de agir e não relaciona uma sanção que venha a sofrer como um instrumento de reprovação do seu comportamento. Não assume a responsabilidade pelos seus atos e geralmente atribui a motivação da ação ou BA realização da mesma a outras pessoas.
São personagens frequentes nos filmes. O Juiz representado por Stalone que elimina os bandidos que não consegue prender; no seriado Dexter da TV o agente elucida legalmente vários crimes e nos momentos de ócio mata os que não foram presos.
02 - ANSIOSO
O ansioso é uma pessoa sempre tensa, insegura, e que medo de qualquer coisa que quebre a sua rotina. Ela não tolera críticas a sua pessoa e possui um profundo sentimento de insegurança e inferioridade. Procura desesperadamente agradar os que estão a sua volta, tentando evitar qualquer rejeição. Normalmente se sente mal quando exigida atividades fora de sua rotina, já que ela lhe oferece segurança. 
03 - PARANOIDE
Cuida-se da pessoa que não suporta ser contrariada, não perdoa o que pensa ser uma ofensa ou insultos. Sua percepção não corresponde sempre a realidade pois tende a distorcer os fatos, interpretando as ações dos outros, mesmo que sejam boas ou inocentes, como hostis ou de desprezo.
Esse é o típico paranoide. Em geral, também suspeita da fidelidade de seus companheiros. Mas não confunda com a paranoia, que é uma doença grave e não um tipo de distúrbio de personalidade
DEPENDENTE
O tipo dependente tende a deixar que outras pessoas tomem qualquer decisão por ele. O dependente receia ficar isolado  e se vê como uma pessoa fraca e incompetente.  Por ser submisso à vontade alheia tem dificuldade em lidar com mudanças ou novos desafios
HISTRIÔNICO
É o histérico ou psicoinfantil. Tenta ser sempre o centro das atenções e se revela extremamente dramático, exibicionista e exigente. Para piorar, é inconstante sentimentalmente, instável, manipulador, egoísta e bastante superficial
ESQUIZOIDE
A pessoa costuma afastar-se dos outros, tendo poucos contatos sociais ou afetivos. Prefere atividades solitárias e a introspecção. Mas, assim como no caso da paranoia e da personalidade paranóide, o tipo esquizoide não tem nada a ver com a esquizofrenia
BORDERLINE
Agir de modo imprevisível, ter acessos de ira e ser incapaz de controlar o seu comportamento impulsivo são as características da galera com esse transtorno. O borderline também pode apresentar perturbações da autoimagem e tendência a adotar um comportamento autodestrutivo. Ver o “Vide vídeo” abaixo.
OBSESSIVO-COMPULSIVO
A pessoa quer sempre tudo certinho, sendo perfeccionista ao extremo. Esse é o típico anancástico ou obsessivo-compulsivo. Em geral,




Os psicopatas são frios, calculistas, insensíveis, inescrupulosos, transgressores de regras sociais e absolutamente livres de constrangimentos ou julgamentos morais internos. Eles são capazes de passar por cima de qualquer pessoa apenas para satisfazer seus próprios interesses. Mas ao contrário do que pensamos, não são loucos, nem mesmo apresentam qualquer tipo de desorientação. Eles sabem exatamente o que estão fazendo. 

Mentes Perigosas nos mostra em linguagem fluida e acessível quem são estas pessoas que vivem entre nós, se parecem fisicamente conosco, mas definitivamente não são como nós.

domingo, 20 de agosto de 2017

Espaço do acadêmico - Maria Alice Pereira Pinto de Melo


A violência sob a perspectiva de Erich Fromm, aliada à análise do caso Eloá



RESUMO: O presente artigo tem como objetivo demonstrar a classificação de violência, segundo Erich Fromm, fazendo, ainda uma breve análise do caso Eloá, assassinada em outubro de 2008.


É difícil apontar quando se deu o surgimento da violência na sociedade humana. Para Thomas Hobbes, o homem é naturalmente mau. Sua natureza humana é egoísta e agressiva, tornando o homem passional por natureza. A agressividade, partindo do pressuposto de que é biológica, faz parte da estratégia dos indivíduos para sobreviver. Diferentemente de Hobbes, Jean Jacques Rousseau, defende a ideia de que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Seria a hipótese de o desejo humano ser responsável pela violência. Isso porque onde existe desejo, formam-se rivais. A lógica do surgimento da propriedade que teria provocado o surgimento dessa violência. Dessa forma, a violência seria produto do desenvolvimento social, e não da natureza humana.

Hoje vive-se em uma sociedade naturalmente violenta.“A violência nos dias atuais pode ser entendida como uma doença presente no corpo social.” (CARVALHO, 2015, apud MODENA, 2016). É possível se deparar com manifestações agressivas em qualquer parte da sociedade. Essas diferentes formas de violência foram abordadas por Erich Fromm.

A primeira delas seria a classificada como violência recreativa que caracteriza-se como sendo aquela não patológica. Sua motivação não está atrelada a um caráter destrutivo, mas à busca de um progresso durante a formação física do indivíduo. A segunda delas é a violência reativa. Essa está voltada para a capacidade de se espantar e reagir a determinado fato. Está relacionada ao instinto de defesa, natural dos seres humanos. A regra, nesse caso, é a de permanecer vivo, portanto, ela não está voltada para a destruição, mas para a conservação da vida.

Outra espécie de violência reativa é a chamada violência por frustração que tem como principal causa a não satisfação de seu desejo ou necessidade. Os objetivos e necessidades frustradas do ser humano o levam à agressão, assim como a inveja e o ciúme que também conduzem à violência. A violência vingativa tem relação com a ideia de satisfação. O indivíduo somente se recupera de algum mal que lhe foi causado ou a alguém próximo a si, provocando dano no outro. Ela já está na direção do patológico.  A violência compensatória não é tão frequente no Brasil, sendo mais comum de ser encontrada nos Estados Unidos. É uma forma considerada patológica, onde, normalmente, um cidadão mentalmente fraco e que tenha tido uma vida fracassada resolve mostrar que é capaz de fazer algo, mesmo que seja o mal. É uma forma de compensar, por exemplo, uma família desestruturada, falhas durante seu desenvolvimento, incapacidade, através da eliminação de outros. Vinga-se de sua vida desestruturada, desestruturando a de outros.

Diante desses conceitos definidos por Erich Fromm, que resumem, de certo modo, a violência por inteiro, é possível chegar ao conceito de crime, que consequentemente nos leva às penas. A punição daquele que se desvia do padrão social mínimo exigido é uma das características do ser humano, e marca, com sua história, de certa forma, a evolução do pensamento do homem.

O caso Eloá, ocorrido no ano de 2008, foi acompanhado por todo o país. As 100 horas em que ela ficou presa foram transmitidas por diversos canais da televisão aberta, em tempo real, com ar de filme de ação. O desfecho se deu no dia 17 de outubro de 2008, quando a polícia invadiu o apartamento e Lindemberg matou a ex-namorada com um tiro na cabeça e outro na virilha. Segundo a amiga de Eloá, Lindemberg passou a persegui-la  após o término do namoro.

Analisando o caso e relacionando com as diversas formas de violência acima descritas, podemos situá-lo dentro das lógicas da violência por frustração e violência vingativa. Isso porque ele não aceitava o rompimento de seu relacionamento, frustrando a sua expectativa. Além disso, desde o começo a sua intenção era de se vingar para aliviar o sentimento de rejeição que o “atormentava”. Lindemberg, durante as conversas que manteve com o irmão de Eloá e que foram gravadas pela polícia, informou que “estava com ódio de Eloá e que não conseguia nem olhar para a cara dela”. Sobre o comportamento do réu durante o cárcere privado que antecedeu o homicídio de Eloá, Nayara, amiga da vítima, afirmou que o acusado dava risada e se vangloriava pela repercussão do caso na mídia.

Lindemberg foi condenado a 98 anos de prisão em 16 de fevereiro de 2012.


REFERÊNCIAS:

 

ELUF, Luiza, Nagib. Eloá não foi um caso isolado de homicídio passional. Foi mais um. Revista Consultor Jurídico, 2008. Disponível em: < http://www.conjur.com.br/2008-out-28/eloa_nao_foi_isolado_homicidio_passional> Acesso em: 11 de agosto de 2017, às 15:13.


MELO, Débora. Lindemberg agrediu Eloá várias vezes e se vangloriava da repercussão do caso, diz amiga da vítima. Disponível em:  < https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/02/13/lindemberg-passou-a-perseguir-eloa-apos-o-fim-do-namoro-diz-amiga-da-vitima.htm?cmpid=copiaecola> Acesso em: 11 de agosto de 2017 às 15:29.


MODENA, Maura, Regina. Conceito e formas de violência. Caxias do  Sul: Editora EDUCS, 2016. Disponível em:   Acesso em: 12 de agosto de 2017 às 20:24

sábado, 12 de agosto de 2017




OMS diz que 33% da população mundial sofre de ansiedade
A região metropolitana de São Paulo possui a maior incidência de perturbações mentais no mundo. O estudo revela que 29,6% dos paulistanos são atingidos



Considerada por especialistas como um mal dos tempos modernos, a ansiedade vem, de forma rápida e impiedosa, tomando conta do Brasil e do mundo. Subestimado por décadas, esse transtorno mental pode inviabilizar a vida social e a profissional, mas poucas pessoas buscam tratamento para aliviar os sintomas antes que cheguem ao limite.
Segundo a Previdência Social, os transtornos mentais já são a terceira razão de afastamentos do trabalho no Brasil, sendo que os gastos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) giram em torno de R$ 200 milhões em pagamentos de benefícios anuais, dado que reforça a importância de se criar medidas de prevenção. Nesse contexto, a ansiedade, assim como a depressão, são os males que mais afetam as pessoas.
Levantamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS), mostram que atualmente cerca de 33% da população mundial sofre de ansiedade. O Brasil tem aparecido sempre entre os primeiros das listas da organização.
Um dado alarmante é que, um desses estudos – o relatório São Paulo Megacity Mental Health Surve, realizado em 2014, mostrou que a região metropolitana de São Paulo possui a maior incidência de perturbações mentais no mundo. O estudo feito pela OMS revela que 29,6% dos paulistanos, e moradores da região metropolitana, sofrem de algum tipo de perturbação mental. O levantamento pesquisou 24 grandes cidades em diferentes países.Entre os problemas mais comuns apontados no estudo estão a ansiedade, mudanças comportamentais e abuso de substâncias químicas. Dentre eles, a ansiedade é o mais comum, afetando 19,9% das 5.037 pessoas pesquisadas.
Depois de São Paulo, cidade que representa o Brasil no estudo, os EUA aparece em segundo lugar, com aproximadamente 25% de incidência de perturbações mentais.
A cidade norte-americana utilizada no levantamento da OMS não foi revelada. Além de ser a cidade com maior incidência de perturbações mentais, São Paulo também aparece na liderança do ranking de casos graves, com 10% da população afetada. Neste ponto, a capital paulista também é seguida pelos EUA, que possui uma incidência de casos graves de 5,7%.
De acordo com os pesquisadores responsáveis pelo estudo, a alta incidência de perturbações mentais é causada pela alta urbanização associada com privações sociais. Segundo eles, os grupos mais vulneráveis são homens migrantes e mulheres que residem em regiões de alta vulnerabilidade social.
Os gatilhos que desencadeiam a ansiedade são muitos. Os tipos dela, também. Desde que foi categorizada como uma patologia e inserida na terceira edição do DSM (sigla em inglês para Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a ansiedade desdobrou-se em muitos males, como fobias e alguns tipos de transtorno - do pânico, obsessivo-compulsivo, de estresse pós-traumáticos, de ansiedade social ou de ansiedade generalizada, por exemplo.
Desde que foi categorizada como uma patologia e inserida na terceira edição do DSM (sigla em inglês para Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a ansiedade desdobrou-se em muitos males, como fobias e alguns tipos de transtorno - do pânico, obsessivo-compulsivo, de estresse pós-traumáticos, de ansiedade social ou de ansiedade generalizada, por exemplo.
 Fonte:

Dificuldade em assimilar noções éticas



Psicopatas


De conformidade com o criminalista Hélio Gomes “os psicopatas são indivíduos que não se comportam como a maioria de seus semelhantes tidos por normais. Apresentam grandes dificuldades em assimilar noções éticas, ou assimilando-as sem observá-las. Seu grande defeito se manifesta na afetividade e não na inteligência.”

A falha na afetividade é igualmente foco da análise efetuada por Guido Palomba no seu Tratado de Psiquiatria Forense (Atheneu Editora. SP. 2003) ao lembrar que “a característica principal dos criminosos fronteiriços é a extrema frieza e insensibilidade moral com que tratam as vítimas.”

O Dr Palomba no Tratado lembra que tais criminosos não apresentam características marcantes de doença mental que são frequentemente percebidos como normais pelos juízes e promotores. Tal fato salienta a necessidade da presença de um perito para a correta definição do equilíbrio mental do delinquente.

A literatura brasileira cuida da aparente normalidade da personalidade do psicopata. Em O alienista Machado de Assis nos traz a  preocupação com a definição e equilíbrio daquele que estabelece na sociedade quem é normal. O tema foi igualmente explorado em um brilhante conto de autoria de Edgar Allan Poe ( O sistema do Dr. Tarr e do Professor Fether) sobre os médicos e os loucos em um hospital psiquiátrico.

domingo, 5 de março de 2017

Robert Hare

Leia aqui o post da entrevista feita com o psicólogo Robert Hare.

“Não há como dizer se uma criança se tornará um adulto psicopata. Mas, se ela age de modo cruel com outras crianças e animais, mente olhando nos olhos e não tem remorso, isso sinaliza um comportamento problemático no futuro”

Robert Hare


PSICOPATA

 Inimputável

“Quando a pessoa é inteiramente incapaz, a lei a isenta de pena. Quando ela não é inteiramente incapaz de entender o que estava fazendo ou de se controlar, ela é punida, só que sua punição é diminuída de um a dois terços.


Óbvio que o magistrado não é a pessoa ideal para analisar se alguém sabia o que estava fazendo ou podia se controlar no momento do crime. O magistrado não entende de esquizofrenia, psicoses ou qualquer outra perturbação mental. Essa análise é apresentada no laudo pericial, baseada em um exame médico-legal (incidente de insanidade mental), feita quase sempre a pedido da defesa, mas que pode ser ordenada pelo magistrado sem que ninguém tenha pedido, ou mesmo requisitada pela acusação.

Mas isso quer dizer que se o louco provar que é louco ele estará livre?

Não. Embora ele seja considerado inimputável, se ficar provado que ele é quem cometeu o ato considerado delituoso, a Justiça precisará proteger a sociedade do louco (e vice-versa). É por isso que nossa lei prevê a chamada absolvição imprópria.

Na absolvição imprópria, o magistrado conclui que fulano fez o que a acusação alegou que ele fez, que se ele fosse mentalmente capaz ele seria punido como qualquer outro criminoso, mas que como o acusado era incapaz de entender o que estava fazendo, a pena prevista na lei não pode ser imputada a ele. Em vez disso, o magistrado ordena que ele seja internado (nos casos de crimes mais severos, que normalmente seriam punidos com reclusão, como no caso do homicídio) ou que receba tratamento ambulatorial (nos casos de crimes mais leves, que normalmente seriam punidos com detenção, como, por exemplo, no caso da lesão corporal culposa).”





domingo, 20 de março de 2016

Drogas e surto psicótico



Homem mata mãe e três vizinhas em área nobre de Londrina (PR)
Ouvir o texto


Um homem de 30 anos matou a mãe e três vizinhas na noite de sábado (3) em Londrina, no norte do Paraná.
Segundo a Polícia Civil, Diego Ramos Quirino é usuário de drogas e havia sido internado no mesmo dia com um provável surto psicótico, decorrente de síndrome de abstinência. O homem, que estava nu quando cometeu os crimes, foi contido por moradores e acabou preso.
Uma das vítimas foi Vilma Santos de Oliveira, 63, conhecida como Yá Mukumby, uma das mães de santo do candomblé mais conhecidas no Paraná e referência no movimento negro no Estado.
A série de homicídios, sempre segundo a polícia, começou por volta das 22 h, quando Quirino tentou agredir sua companheira, Patrícia Amorim Dias, 19, dentro da casa da mãe dele, no Jardim Champagnat, bairro de classe média alta.
Ao perceber que o filho tentava golpear a nora com uma faca, a mãe de Quirino, Ariadne Benck dos Anjos, 48, tentou contê-lo e foi ferida. Patrícia conseguiu escapar.
Por acreditar que a mulher estivesse escondida na casa de Yá Mukumby, que era vizinha de sua mãe, Quirino pulou o muro que divide os imóveis e matou a mãe de santo.
Ainda dentro da casa de Yá Mukumby, Quirino esfaqueou Alial de Oliveira dos Santos, 86, mãe da mãe de santo, e Olivia Oliveira, 8, neta.
A polícia investiga se o ataque de Quirino às vizinhas teria ocorrido após Yá Mukumby ameaçar chamar a polícia para prendê-lo.
A idosa Alial Santos foi morta no quintal da casa da filha, quando tentava fugir depois de ver sua bisneta e Yá Mukumby serem mortas.
Em 2010, a história de vida da mãe de santo foi contada no livro "Yá Mukumby, A Vida de Vilma Santos de Oliveira", que saiu pela coleção "Presença Negra em Londrina", da editora da UEL (Universidade Estadual de Londrina).
Depois das quatro mortes, Quirino, que estava nu quando cometeu os crimes, correu pelas ruas do Jardim Champagnat até entrar em um salão onde ocorria uma festa infantil. Sua companheira, na verdade, estava nesse lugar.
Ao tentar atacá-la novamente, Quirino foi contido pelos convidados e seguranças da festa, que acionaram a polícia. O homem acabou preso.

SURTO
Parentes de Quirino informaram à Polícia Civil que ele havia sido levado para um hospital ainda na tarde de sábado (3), por estar em surto psicótico. Segundo a polícia, Quirino é usuário de drogas.
Depois de ser medicado e liberado, voltou para casa. Após tomar banho, ele começou a ficar violento e cometeu a chacina.
Na delegacia, Quirino disse apenas que cometeu os crimes "porque estava com o bicho no corpo". Ele se reservou ao direito de ficar calado. Até a tarde deste domingo, nenhum advogado havia sido nomeado para defender Quirino, de acordo com a polícia.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Psicopatia

Transtorno antissocial da personalidade
Thinkstock

O que leva um indivíduo a cometer um crime sem sentir medo ou compaixão? De acordo com Robert Hare, autoridade mundial em psicologia criminal e professor da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), a única característica inconfundível de um psicopata é, exatamente, “a falta de emoções, da capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa para, pelo menos, imaginar seu sofrimento”. 

Hare também acrescenta que um psicopata procura entrar na mente das pessoas e até tenta imaginar o que elas pensam, mas nunca conseguirá chegar a entender como elas se sentem. Demonstrou-se, inclusive, que um psicopata pode chegar a se relacionar social ou intelectualmente, mas sempre encara as pessoas como objetos, isto é, retira do outro seus atributos humanos.

A psicopatia é uma anomalia psíquica, um transtorno antissocial da personalidade no qual, apesar da integridade das funções psíquicas e mentais, a conduta social do indivíduo se encontra patologicamente alterada.

A observação da conduta psicopática indica que, por serem indivíduos relativamente insensíveis à dor física, os psicopatas quase nunca adquirem medos condicionados, como o medo da desaprovação social, da humilhação ou de que restrinjam suas más ações, medos esses que dariam aos indivíduos um senso do bem e do mal.


As características da conduta do psicopata seriam determinadas tanto por fatores fisiológicos como por fatores sociopsicológicos. A conduta psicopática poderia ser causada por traumas infantis que geram conflitos, devido aos quais a criança não pode se identificar com o progenitor do mesmo sexo nem se apropriar de suas normas morais. Os psicólogos comportamentais acreditam que a conduta psicopática resulta do aprendizado.

O psiquiatra norte-americano Hervey M. Cleckley, pioneiro na pesquisa sobre psicopatia, identificou em 1941, em seu reconhecido livro "The Mask of Sanity" (A Máscara da Sanidade), quatro subtipos diferentes de psicopatas:

Psicopatas primários:

Não respondem ao castigo, à apreensão, à tensão e nem à desaprovação. Parecem ser capazes de inibir seus impulsos antissociais quase todo o tempo, não devido à consciência, mas sim porque isso atende ao seu propósito naquele momento. Para eles, as palavras parecem ter significado diferente do que têm para nós. Não têm nenhum projeto de vida e parecem ser incapazes de experimentar qualquer tipo de emoção genuína.

Psicopatas secundários:

São cheios de ousadia, mas inclinados a reagir frente a situações de estresse. Beligerantes e propensos ao sentimento de culpa, os psicopatas desse tipo se expõem a situações mais estressantes do que uma pessoa comum, mas são tão vulneráveis ao estresse como qualquer um de nós. São pessoas ousadas, aventureiras e pouco convencionais, que começaram a estabelecer suas próprias regras desde cedo. São fortemente conduzidos por um desejo de escapar ou de evitar a dor, mas também são incapazes de resistir à tentação. Tanto os psicopatas primários como os secundários estão subdivididos em:

Psicopatas descontrolados:

São os que parecem se aborrecer ou enlouquecer mais facilmente e com mais frequência do que outros subtipos. Seu delírio se assemelhará a um ataque de epilepsia. Em geral também são homens com impulsos sexuais incrivelmente fortes, capazes de façanhas assombrosas com sua energia sexual. Também parecem estar caracterizados por desejos muito fortes, como o vício em drogas, a cleptomania, a pedofilia ou qualquer tipo de indulgência ilícita ou ilegal.

Psicopatas carismáticos:


São mentirosos, encantadores e atraentes. Em geral são dotados de um ou outro talento e o utilizam a seu favor para manipular os outros. São geralmente compradores e possuem uma capacidade quase demoníaca de persuadir os outros a abandonarem tudo o que possuem, inclusive suas vidas. Com frequência, esse subtipo chega a acreditar em suas próprias invenções. São irresistíveis.

Inimputabilidade



A regra M’Naghten


O comportamento de psicopatas e as agressões que eles efetivam sem que lhes seja possível imputar a responsabilidade de seus atos, pode conduzir ao sofrimento de uma pena em virtude dos danos causados. Peter Gay, em profundo estudo sobre os atos humanos revela em seu livro O cultivo do ódio importantes informações sobre a mente do agente durante a prática do ato criminoso.

No presente post vamos nos deter sobre as consequências na elaboração das modernas teorias sobre a inimputabilidade decorrentes de um rumoroso homicídio ocorrido em 1843, conforme a narrativa de Peter Gay: 

Em 1886 foi criado o Archives d’antropologie criminelle para facilitar o trabalho conjunto de médicos, juristas, professores de direito criminal e magistrados. O que reunia tais estudiosos era a questão do estado mental do réu durante o ato criminoso. No século XVIII advogados ingleses já alegavam insanidade e médicos eram chamados para atestar o fato. No início do século XIX especialistas e juízes tornaram explicito o vínculo entre a medicina mental e procedimentos legais, florescendo a aliança entre as duas profissões. Em 1811 um decreto napoleônico atribuiu ao especialista em psiquiatria um lugar na determinação da responsabilidade criminal. Em 1838 Isaac Ray publicou o Tratado sobre a jurisprudência médica da insanidade, obra que se tornou uma referência.

Mas foi um julgamento e não um tratado sobre jurisprudência que fez a diferença. Após um sensacional assassinato em 1843, os juízes ingleses estabeleceram as muito elogiadas e muito criticadas -– além de muito copiadas –- regras M’Naghten. Daí em diante os estudiosos do assunto iriam usar aquele ano como marco decisivo.
As regras M’Naghten e suas interpretações transformaram em jurisprudência moderna uma visão da natureza humana primeiramente esboçada em Platão. A mente era encarada como um sistema altamente vulnerável de paixões peremptórias sujeitas a controles racionais que às vezes se rompiam, permitindo assim que os impulsos destrutivos governassem o comportamento.

Sofrendo de delírios persecutórios e imaginando que estava sendo seguido por espiões, M’Naghten havia matado Edward Drummond, secretário privado do Ministro Sir Robert Peel, acreditando que sua vítima era o Ministro. A despeito de todas as suas mórbidas suspeitas – hoje ele seria classificado como esquizofrênico paranóide -  M’Naghten não era o chamado louco varrido; havia se comportado normalmente em seus assuntos privados e de negócios.  Seus advogados impressionaram a Corte com “as visões mais sadias e humanas a respeito da insanidade jamais ocorrida nas investigações modernas”. O júri decidiu que os delírios de M’Naghtan eram absolutórios e o julgaram inocente, por razões de insanidade. 

A decisão deixou a Inglaterra chocada e os juízes foram convidados a participar de uma mesa para esclarecer a questão. A época foram definidas as chamadas Regras M’Naghten que definiram  a insanidade como a incapacidade de distinguir o certo do errado, uma instância da perda da razão. Essas regras persistiram e o único acréscimo consistiu na admissão do “impulso irresistível”.

Ao reconhecer o incapacidade emocional como uma defesa, essa regra ampliou adequadamente os racionalistas critérios aplicados a M’Naghten, permitindo aos jurados definir como inocente um assassino que não era necessariamente desprovido de razão, mas que ficava, em momentos críticos, inteiramente entregue a suas necessidades agressivas.
(Gay, Peter. O cultivo do ódio. P. 158.)


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Transtorno de personalidade


Psicopata e Sociopata
por Fernanda Salla | Edição 99

 Os dois termos são sinônimos para um tipo específico de transtorno de personalidade. De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o termo oficial para designar um psicopata ou sociopata é personalidade dissocial ou antissocial.
 "A psicopatia é um termo muito confuso historicamente, sendo que, hoje, se refere a apenas um dos oito transtornos de personalidade existentes", diz o psiquiatra forense Daniel Martins de Barros, do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Ou seja, a associação que, em geral, fazemos do termo psicopata com um assassino frio, como um serial killer, não passa de mau uso do termo.

Os oito transtornos principais de personalidade são:

01 - ANTISSOCIAL
O sociopata - tem tendência à agressividade e não observa às normas sociais. Ele dificilmente altera o seu modo de agir e não relaciona uma sanção que venha a sofrer como um instrumento de reprovação do seu comportamento. Não assume a responsabilidade pelos seus atos e geralmente atribui a motivação da ação ou BA realização da mesma a outras pessoas.
São personagens frequentes nos filmes. O Juiz representado por Stalone que elimina os bandidos que não consegue prender; no seriado Dexter da TV o agente elucida legalmente vários crimes e nos momentos de ócio mata os que não foram presos.
02 - ANSIOSO
O ansioso é uma pessoa sempre tensa, insegura, e que medo de qualquer coisa que quebre a sua rotina. Ela não tolera críticas a sua pessoa e possui um profundo sentimento de insegurança e inferioridade. Procura desesperadamente agradar os que estão a sua volta, tentando evitar qualquer rejeição. Normalmente se sente mal quando exigida atividades fora de sua rotina, já que ela lhe oferece segurança. 
03 - PARANOIDE
Cuida-se da pessoa que não suporta ser contrariada, não perdoa o que pensa ser uma ofensa ou insultos. Sua percepção não corresponde sempre a realidade pois tende a distorcer os fatos, interpretando as ações dos outros, mesmo que sejam boas ou inocentes, como hostis ou de desprezo.
Esse é o típico paranoide. Em geral, também suspeita da fidelidade de seus companheiros. Mas não confunda com a paranoia, que é uma doença grave e não um tipo de distúrbio de personalidade
04 - DEPENDENTE
O tipo dependente tende a deixar que outras pessoas tomem qualquer decisão por ele. O dependente receia ficar isolado  e se vê como uma pessoa fraca e incompetente.  Por ser submisso à vontade alheia tem dificuldade em lidar com mudanças ou novos desafios
05 - HISTRIÔNICO
É o histérico ou psicoinfantil. Tenta ser sempre o centro das atenções e se revela extremamente dramático, exibicionista e exigente. Para piorar, é inconstante sentimentalmente, instável, manipulador, egoísta e bastante superficial
06 - ESQUIZOIDE
A pessoa costuma afastar-se dos outros, tendo poucos contatos sociais ou afetivos. Prefere atividades solitárias e a introspecção. Mas, assim como no caso da paranoia e da personalidade paranóide, o tipo esquizoide não tem nada a ver com a esquizofrenia
07 - BORDERLINE
Agir de modo imprevisível, ter acessos de ira e ser incapaz de controlar o seu comportamento impulsivo são as características da galera com esse transtorno. O borderline também pode apresentar perturbações da autoimagem e tendência a adotar um comportamento autodestrutivo. Ver o “Vide vídeo” abaixo.
08 - OBSESSIVO-COMPULSIVO
A pessoa quer sempre tudo certinho, sendo perfeccionista ao extremo. Esse é o típico anancástico ou obsessivo-compulsivo. Em geral, é obstinado em fazer as coisas como acha que devem ser feitas, sem nenhuma flexibilidade. Essas características podem vir acompanhadas de impulsos repetitivos, mas não atinge a gravidade de um transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)

Fonte: Matéria completa em:

Psicopatas


Segundo os especialistas, 
até 3% da população mundial 
é composta de psicopatas,
 sendo que eles reincidem 
na criminalidade
 três vezes mais 
que bandidos comuns.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Vide Vídeo: Psicopata



Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, Médica Psiquiatra , Escritora, Autora de vários livros, como Mentes perigosas, Mentes inquietas, O jeito bordeline de ser, Mentes insaciáveis e outros.