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Sigmund Freud

domingo, 10 de março de 2013

Espaço do acadêmico - Henrique Serejo


             Os Imperdoáveis: O caos no faroeste


A trama dirigida por Eastwood é indubitavelmente mais profunda do que a maioria dos filmes de faroeste. William Muny é o epicentro da história, antigo assassino que conhecido por promover barbáries regadas a muito whisky, vive em crise de consciência consigo mesmo, e que por esse fato, adota uma vida afastada de bebidas, mulheres e principalmente armas. Em tempo que mora sozinho com seus filhos, surge Kid, jovem fascinado por antigas histórias de assassinos, trazendo-lhe a proposta de matar dois vaqueiros valendo-se da recompensa de 1000 dólares. Ante sua difícil situação financeira, Muny aceita a proposta e convida Ned, seu antigo parceiro no universo dos revólveres e espingardas para integrar sua campanha.

Na cidade em que vivem os vaqueiros, o xerife é Little Bill, compenetrado, talvez aficionado na missão de manter a ordem social, uma espécie de Estado Fascista doutros modos, concentrador das leis e julgamentos. Tal sujeito -utilizando o bordão do herói Capitão Nascimento- cumpre todas missões à ele confiadas, espanta caçadores de recompensa à pancadas e tiros.

O cerne do filme do filme cinge-se à dicotomia entre o Muny arrependido do seu passado, e o assassino focado na tarefa a ele confiada. Não há como estereotipar os personagens que compõe essa trama, até porque, o filme evidencia que códigos de ética nada tem a ver com a vida naqueles outros tempos, quiça na vida pós-moderna. É, de fato, cumprem sua missão, matam os vaqueiros, tendo como preço a vida de Ned, mas veja só, que ironia, o portador de moral mais aguçada pagou com a vida, enquanto Kid, o aspirante à assassino ao matar seu primeiro homem, concluiu que tal vida não era para ele.

A cena final é caótica, desvinculada dos padrões Holliwoodanos, onde sempre, existe a tentativa de harmonizar a vida social geralmente com a morte do protagonista malfeitor. Não, os rótulos da boa moral nada tem a ver com Eastwood, e nessa trama não foi diferente. Muny mata cinco homens e sai ileso, certamente com tantas dúvidas em sua cabeça, quanto como iniciou a história.

Tal produção cinematográfica pode ser facilmente comparada ao dia-a-dia da cena social-criminal. Em tantos momentos são proferidos juízos axiológicos acerca de comportamentos de delinquentes, conceituando-os como monstruosos, entretanto em poucos casos avalia-se a estrutura psico-social  do agente. Evidentemente, torna-se difícil para o direito atenuar punições sob o argumento da conduta legitimar-se pela difícil realidade enfrentada pelo criminoso. Contudo, analisar criticamente esse aspecto é sem sombra de dúvidas, tarefa elementar, quando a tentativa for de fato, não simplesmente de direito, alcançar a justiça. Trocando em miúdos, quantos seres parecidos com William Muny existem? Inúmeros, assassinos sim, mas que muitas vezes são determinados pelo ambiente, bem como transgridem as normas, vislumbrando o bem-estar que o Leviatã moderno esquiva-se de possibilitar.

Justifica-se ? Não. Muito menos no caso do filme. Difícil questão.



Trailer do filme Os Imperdoáveis.



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