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Sigmund Freud

domingo, 6 de março de 2016

Lendas urbanas


Suicídio
Precaver-se contra um defunto tornava-se ainda mais necessário se este era um suicida. Na Grécia antiga cortava-se lhe a mão direita. Sua vontade de morrer era considerada uma manifestação de ódio em relação à vida e aos vivos.

No Ocidente “moderno”, faziam-no sair da casa onde jazia, seja lançando-o pela janela, seja – por exemplo, Lille no século XVII – fazendo-o “passar por baixo da soleira da casa por um buraco, com a face contra a terra como um animal”. Gesto de conjuração que lembra que todo morto é maléfico.

O padre Thiers conta ainda que  no Perche a rouba branca usada pelo defunto durante sua doença devia ser lavada à parte para impedir “que causasse a morte daqueles que a usariam depois dele”. Do mesmo modo, a colocação da mortalha devia ser feita não sobre a mesa do quarto onde ocorrera o falecimento, mas sobre um banco ou no chão, senão “alguma outra pessoa da casa morreria no mesmo ano”.

O rito descrito é ambíguo. Do ponto de vista etnográfico, significa que se queria impedir o culpado de reencontrar o caminho de sua casa – razão pela qual o faziam passar pela janela e com o rosto voltado para baixo.

Mas, para a Igreja, aquele que pusera fim aos seus dias desesperara do perdão divino. Excluíra-se assim da comunidade cristã: o que era marcado de maneira ostensiva.


(DELUMEAU, Jean. História  do medo no Ocidente São Paulo: Cia das Letras. 2009. P. 134/135)

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