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“A guerra não é um instinto, mas uma invenção.” Ortega y Gasset

domingo, 5 de março de 2017

Vide vídeo: Esquizofrenia


Ana Beatriz Barbosa Silva


“Segundo o psiquiatra canadense Robert Hare, uma das maiores autoridades sobre o assunto, os psicopatas têm total ciência dos seus atos (a parte cognitiva ou racional é perfeita), ou seja, sabem perfeitamente que estão infringindo regras sociais e por que estão agindo dessa maneira. A deficiência deles (e é ai que mora o perigo) está no campo dos afetos e das emoções. Assim, para eles, tanto faz ferir, maltratar ou até matar alguém que atravesse o seu caminho ou seus interesses, mesmo que esse alguém faça parte de seu convívio íntimo. Esses comportamentos desprezíveis são resultados de uma escolha, diga-se de passagem, exercida de forma livre e sem qualquer culpa.

A mais evidente expressão da psicopatia envolve a flagrante violação criminosa das regras sociais. Sem qualquer surpresa adicional, muitos psicopatas são assassinos violentos e cruéis. No entanto, como já dito, a maioria deles está do lado de fora das grades, utilizando sem qualquer consciência, habilidades maquiavélicas contra suas vítimas, que para eles funcionam apenas como troféus de competência e inteligência.

Reafirmo que é comum depararmos com pessoas de boa índole (até mesmo de alto nível intelectual e cultural) que duvidam que os psicopatas possam existir de fato. Para sanar essa dúvida, basta observar a grande quantidade de pessoas mostradas na mídia diariamente: assassinos em série, pais que matam seus filhos, filhos que matam seus pais, estupradores, ladrões, golpistas (os famosos “171”), gangues que ateiam fogo em pessoas, homens que espancam as esposas, criminosos de colarinho branco, executivos tiranos, empresários e políticos corruptos, sequestradores...

Todos os crimes cometidos por esses indivíduos, de pequena ou grande monta, deixam-nos tão perplexos que nossa tendência inicial é buscar explicações que sejam no mínimo razoáveis. E aí especulamos: “Ele parecia tão bom, o que será que aconteceu?”, “Será que ele não regula muito bem, estava drogado ou perturbado?”, “Será que foi maltratado na infância?”. E, mergulhados em tantas perguntas, incorremos no erro de justificar e até entender as ações criminosas dos psicopatas.

Passe a ler os jornais sob esse novo prisma (a falta de consciência) e você perceberá rapidamente que a extensão desse problema e amedrontadora. Convenhamos, não é chocante saber que tais comportamentos moralmente incompreensíveis são exibidos por pessoas aparentemente “normais” ou comuns?

É preciso estar atento para o fato de que, ao contrário do que se possa imaginar, existem muito mais psicopatas que não matam do que aqueles que chegam à desumanidade máxima de cometer um homicídio. Cuidado, os psicopatas que não matam não são, em absoluto, inofensivos! Eles são capazes de provocar grande impacto no cotidiano das pessoas e são igualmente insensíveis. Estamos muito mais propensos e vulneráveis a perde nossas economias ao cair na lábia manipuladora de um golpista do que perder a vida pelas mãos de um assassino”.
P.40/41.


Ana Beatriz Barbosa Silva. Mentes perigosas. RJ. Ed. Objetiva. 2008

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